domingo, 15 de agosto de 2010

As gavetas estão todas abertas, passou a noite procurando o amor que ela perdeu. Deve estar jogado em algum lugar, exatamente como os rascunhos em cima de sua escrivaninha que não é tocada há alguns dias. 
Senta em sua penteadeira, como sempre sentou, arruma seus cabelos, como sempre arrumou. Colocou seu vestido, já sem humor. Todos perceberam a couraça invisível que a cobria já há algum tempo. Todos perceberam que achava qualquer tipo de sentimento supérfluo e nefasto.
Ficou largada em um canto, como o seu livro estava em seu criado mudo a algumas semanas.
Deixou o vento a levar, como sempre deixou.